O amor na lente de aumento

 

O Centro Cultural São Paulo apresenta o evento “Amores contemporâneos” entre os dias 13 e 18/12. Serão 12 filmes e 3 debates integrados a recursos de teatro – tudo isso para analisar como o amor se expressa na sociedade contemporânea. Veja a programação na página do CCSP:

http://www.centrocultural.sp.gov.br/programacao/cinema.htm

O silêncio da imagem

 

O filme “Cascading white treads” (ou “Taki No Shiraito”), de Kenji Mizoguchi,.foi exibido neste domingo (11/12) no Centro Cultural São Paulo, na mostra “O Cinema Silencioso Japonês” promovida pela Fundação Japão e pelo Consulado Geral do Japão. Obra-prima de um dos principais cineastas japoneses, fonte de inspiração do gênio Kurosawa, a exibição foi especial pela presença de um benshi.

 

Benshi?

 

Narrador de filmes mudos do início do século XX, o benshi era tão popular que contribuiu para o atraso da entrada do cinema falado no Japão. O narrador não fazia apenas a dublagem das falas das personagens; ele as interpretava, tornando-se praticamente um protagonista do filme ao vivo.

 

Uma situação única

 

O início traz uma sensação estranha; você não sabe se olha pra tela ou pra narradora; você não sabe se presta atenção na imagem ou na voz. Sensação que se dissipa em alguns minutos, quando você percebe que tudo se conecta. A bailarina Ângela Nagai atuou como benshi durante os 96 minutos do filme – uma tarefa hercúlea. Ela não declamou as falas das personagens; ela deu voz a cada um deles: cada um com sua impostação, seu sotaque, sua personalidade. A benshi Ângela era uma atriz fora da tela, que trouxe algo de cada um dos atores de dentro da tela.

 

O som da emoção

 

Pela experiência que alguns afortunados (e me incluo nisto) tiveram neste domingo, fica fácil entender como o cinema falado só emplacou no Japão dez anos depois do resto do mundo. Nenhum som previamente gravado se compara à oportunidade de compartilhar da interpretação de um narrador ao vivo. Ângela e os músicos que a acompanharam foram aplaudidos de pé no final da sessão. Emudeci.

Ladies and gentlemen, diretamente do laboratório on-line do Instituto Itaú Cultural, nossa enviada especial ao Resfest, Patrícia Guimarães:

Minha passadinha no Resfest

Então, pessoas queridas, cá estou outra vez, mas desta p comentar um tantinho do q eu reparei lá do Resfest.

Aliás, mto bacana aquele Festival, viu!? confesso q só vi uma das mostras q estava lá no Itaú Cultural (IC), e depois fiquei raspando o cotovelo na parede de tanta raiva por n ter largado td antes (como fiz no domingo c meu TCC) e ter ido lá bisbilhotar...mas agora já era....

Bem, voltando...vi uma mostra de curtas metragem (Short BR1). Uns vídeos absolutamente estranhos p quem n tá mto acostumado a frequentar mostras de curtas (tipo eu), mas se vc relaxa e n fica tentando entender a lógica da coisa, parece q td começa a fluir de repente.

O tema do BR1 girava, justamente, em torno desse estranhamento em relação às coisas; alguns vídeos eram engraçados, pro lado do humor msm - o caso de um curta de quase 4 min chamado "Guenzo" - putz! imaginem um cachorro de pilha ,desses tipo brinquedo chinês, q sai pela cidade pra dar uma voltinha como se fosse a coisa mais comum do mundo, como se ele fosse um cachorro de verdade e n um brinquedo.

Qto à estética, me chamou a atenção um outro vídeo, "Conjunto Residencial". Era uma mistura de imagens do real (um canto do quarto de um apartamento de um desses conjuntos habitacionais) mesclado à animação que parecia ser construída/desenhada à cada imagem q surgia na tela.
Um roteiro interessante tbm...um cara fixou um trampolim na janela do ap dele e de repente, a curiosidade dos vizinhos era tamanha q o tal trampolim virou a atração do residencial - imagino q isso seja típico dessa vida conjunta...n sei, na verdade, sempre morei em casa.

Agora, no lance da exploração da linguagem do audiovisual num todo, eu destaco um curta de 3 minutos, o "Ah! Eu já ia mesmo pedir notícias dele".
Nesse trabalho o som me perturbou mais do q qlqr outra coisa. são múrmurios de duas mulheres, aparentemente histéricas (pelo tom da voz) que se misturam às imagens de desenhos de uma casa. os desenhos denunciam q elas estão falando banalidades, coisas do cotidiano...nada suuuper elaborado, mas achei interessante essa abordagem de evidenciar o sonoro em detrimento do visual.

Mas, o mais bacana, foi perceber q os caras estão de portas abertas pro novo. Imaginem q numa mostra de oito curtas, dois eram experimentais (um deles, um trabalho de um estudante de cinema, intitulado "Monografia"; e o outro, um vídeo bem amador,"As praças de Belo Horizonte", de alunos de colégio).

O vídeo "Monografia" é uma narrativa pessoal, chata até em alguns momentos, a meu ver. mas q se salva pelo fato do cara falar sobre um trabalho de conclusão de curso q ele nunca concluiu (aff!) por acreditar q o lance das coisas está justamente nessa transformação sem fim, nessa falta de conclusão.

Já o "AS Praças de Belo Horizonte", é um negócio de doido, que mistura uma narrativa sobre a geografia das praças de BH com uma animação bem tosca, daquelas no pior estilo japonês (lembrem-se de Jaspion), mas q arrancou uma tremenda gargalhada do povo, q saiu de lá bem leve...

Bom, é isso! acabei escrevendo esse tanto mas foi pra dizer msm é q acho q esse mercado tá aí bem quente pra quem quiser se aventurar.
ps1. Tonica, minha flor, bota essa câmera pra gravar
ps2. Lud, vc tbm gosta né!? então, demorou...

bjs em vcs, e até mais (e dezembro q n chega, afff!!!)



SHORTS BR1

DES CABINET DES DOKTOR K.
Rodrigo Borges, 2005, 3min20

60 CAMAS
Regina Acutu, Nikolai Vicki, Andréia Ks, 2005, 5min

ESTRANHA ESTAÇÃO DO ANO
Izabela Tozini, 2004, 9min

CONJUNTO RESIDENCIAL
Adams Carvalho e Olívia Brenga, 2005, 5min

US
Tadeu Jungle, 2005, 2min20

AH! EU JÁ IA MESMO PEDIR NOTÍCIAS DELE
Loise Ganz e Dellani Lima, 2004, 3min

GUENZO
Renata Pinheiro, 2005, 3min57

MONOGRAFIA
Gustavo Saldanha, 2005, 25min

AS PRAÇAS DE BELO HORIZONTE
Bruno Bechler e Francisco Vale, 2005, 1min27.

 

Espremido

 

Entre “Narnia” e “Harry Potter”, Walter Salles participará de um debate após a exibição de “Terra estrangeira”, produção que completa 10 anos. O evento também conta com a presença da co-diretora Daniela Thomas e acontece no dia 12/12, 2a.feira, 20h, no Espaço Unibanco (Rua Augusta 1475). Entrada franca (retirada de senha na bilheteria com meia hora de antecedência – haja fila...).

Escuse moi...

 

Sobre o Festival Varilux, faltou o serviço: datas e horários dos filmes. Está tudo no site do Consulado Geral da França (http://www.ambafrance.org.br/saopaulo/portugues/agenda_cultural/cinema.htm). Inclusive, um ciclo de Louis Malle também está na página: 8 filmes serão exibidos na Cinemateca Brasileira. Falta tempo pra tanto filme...

Mordaça rompida

 

Está na internet o site do projeto “Memória da censura no Cinema Brasileiro 1964/1988”, idealizado pela pesquisadora Leonor de Souza Pinto. Grande parte da produção cinematográfica brasileira da época foi “avaliada” por censores, cujos documentos foram digitalizados e podem ser acessados em pdf. Há análises histórico-sociais sobre “A hora e a vez de Augusto Matraga”, listas de argumentos não convincentes para proibir “Terra em transe”, pareceres sobre cenas de “Dona Flor e seus 2 maridos” que deveriam ser cortadas (onde os censores mostravam seu senso de humor – não se sabe se de forma voluntária ou não), entre outras pérolas. São 175 filmes de 25 cineastas, que podem ser pesquisados por nome, diretor, ano de produção ou até (se alguém conhecer) pelo nome de determinado censor. Além dos documentos da censura, há uma grande coleção de artigos da imprensa nacional (e alguns estrangeiros) relacionados a cada filme, o que ajuda a contextualizá-los. Vale a visita – aliás, vale muitas visitas, pois a quantidade de documentos e informações é imensurável. Digite www.memoriacinebr.com.br e navegue pelos subterrâneos burocráticos da ditadura.

A palavra e a imagem

 

O livro “Lavoura arcaica” completa 30 anos. E o que esta notícia faz em um blog sobre cinema? Elementar: a celebração do fato reunirá os autores do livro, Raduan Nassar, e do filme homônimo, Luiz Fernando Carvalho, em um debate nesta 3a.feira, 6/12, às 20h no Espaço Unibanco (rua Augusta, 1475). Depois do debate o filme será exibido às 21h, concomitante ao lançamento da edição comemorativa do livro. O evento tem entrada franca, com retirada de senha a partir das 19h30.

Parlez vous français? Então aprenda!

 

Na próxima 6a. feira, 9/12, começa o 4o. Festival Varilux de Cinema Francês em São Paulo. Depois de passar por 10 cidades desde o começo de novembro, 7 produções francesas serão exibidas no HSBC Belas Artes e no Museu da Imagem e do Som. Reprises como “Pele de Asno” de 1970 em cópia restaurada (estrelado por ninguém menos que Catherine Deneuve), e inéditos como a comédia “RRRRRRRR!!! Na idade da pedra”, farão um balanço da produção cinematográfica daquele país (ou, pelo menos, mostrarão como Catherine Deneuve era linda há 35 anos – aliás, continua linda).

Mangia che te fa bene

 

Começa hoje a Mostra Venezia Cinema Italiano: seis filmes italianos da Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza 2005 serão exibidos em São Paulo (e já estão sendo exibidos em Brasília desde ontem, dia 30). O destaque, alem dos novos filmes, é a cópia recém-restaurada de “Casanova de Fellini”, cedida pela Cineteca Nazionale de Roma. Em São Paulo os filmes serão exibidos no Cine Olido até 7 de dezembro. A entrada é franca, com retirada de senha uma hora antes do início das sessões.

 

Os 6 filmes (todos legendados em português) são:

 

“I giorni dell'abbandono”, de Roberto Faenza (exibido na MostraBR)
”La bestia nel cuore”, de Cristina Comencini (Indicado ao Oscar 2006)
”La seconda notte di nozze”, de Pupi Avati
”Musikanten”, de Franco Battiato
”Texas”, de Fausto Paravidino
”Mary”, de Abel Ferrara

Primeiras histórias

 

Começou nesta 4a. feira (30/11) a 19a. Mostra do Audiovisual Paulista no Cinesesc: foram exibidos 4 curtas (dos quais 3 foram premiados em Brasília na 3a. feira, dia 29) precedidos por uma performance do VJ Alexis Anastasiou.

Os documentários “Dormente” de Joel Pizzini e “De Gláuber para Jirges” de André Ristum agradaram pela sensibilidade e abordagem original dos temas (estímulos sensoriais em belas imagens no 1o. e uma bonita montagem e narração no 2o.); os curtas de ficção “Quem você mais deseja” de André Sturm e Silvia Rocha e “O caderno rosa de Lori Lamby” de Sung Sfai cativaram pelas boas histórias e atuações.

Um discurso do VJ, sobre a tecnologia inovadora que seria utilizada no evento e a possibilidade de as salas de cinema se tornarem espaços de performances além da função de exibir filmes, criou expectativas que não se concretizaram. Uma arrastada salada de imagens com avanços e retrocessos e repetições nauseantes mostrou uma tentativa de exaltar a montagem como uma grande revolução - nada que Eisenstein e Vertov não fariam se tivessem computadores em sua época (e muito aquém do que Eisenstein e Vertov fizeram, mesmo sem computadores em sua época).

“... and the ‘Candango’ goes to...”

 

“Eu me lembro”, do diretor de curtas e médias-metragens Edgar Navarro, foi o vencedor do Festival de Brasília, encerrado ontem (dia 29). O filme recebeu 6 prêmios: melhor filme, direção e roteiro (Edgar Navarro), atriz (Arly Arnaud), ator coadjuvante (Fernando Neves) e atriz coadjuvante (Valderez Freitas Teixeira).

Outros premiados: melhor ator (Fernando Eiras, por “Incuráveis”); fotografia (Walter Carvalho, “O veneno da madrugada”); direção de arte (Marcos Flaksman, “O veneno da madrugada”); montagem (Paulo Sacramento e José Eduardo Belmonte, “A concepção”); trilha sonora (Zé Pedro Gollo, “A concepção”); som (Miriam Biderman, Rcardo Reis e Ana Chairini, “À margem do concreto”) e Prêmio do Júri Popular (“À margem do concreto”). Foram premiados também curtas e médias-metragens em 35mm e filmes em 16mm.

Todos os detalhes estão no site oficial do evento

http://www.hotsitespetrobras.com.br/festivalcinema/

Dica de podcast

 

O SALA DE CINEMA (www.portalsantiago.com) focaliza lançamentos do circuito comercial e dvds. Tem 2 sessões semanais, mas está desatualizado – a última é de 3/11 e fala de “Cidade baixa”, “Tudo acontece em Elizabethtown” e “O mercador de Veneza”. O criador, André Santiago, está de férias. Vasculho a rede à procura de programas menos hollywoodianos. Aguardem.

Up-to-date:

Começou ontem para convidados a 19a. Mostra do Audiovisual Paulista: 281 trabalhos, entre longas e curtas-metragens, vídeo, publicidade, vídeo-arte, exposições fotográficas e shows de rock. Um destaque é a performance Cinema Repentista, em que VJs e repentistas visuais mixam e montam imagens em tempo real (hoje, às 21hs., no Cinesesc). Toda a programação está no site www.mostraaudiovisual.com.br

Too late...

 

O RESFEST 2005, festival jovem de cultura pop com ênfase em vídeo, foi realizado em São Paulo entre 25 e 27 de novembro em 4 locais: Instituto Itaú Cultural, Centro Cultural Banco do Brasil, hotel Crowne Plaza e bar Vegas. Sessões de curtas brasileiros e internacionais, longas-metragens, vídeos musicais e sobre design gráfico, palestras de videomakers e um show da banda alemã Tarwater: um prato cheio pra quem gosta de imagem e som, que não teve a presença deste que vos escreve por razões acadêmicas de força maior...

A enviada especial do Rumos, Patrícia Guimarães, esteve presente e seu relato está sendo negociado para inclusão neste blog.

Um trailer

A primeira mensagem do primeiro blog a gente nunca esquece (obrigado, Washington!).

Este blog será um espaço para o que aparece na telona e na internet. Sites, críticas, notícias, entrevistas, podcasts, longas, curtas, filmes para celular, bastidores de festivais, making of de produções, tudo o que pode refletir o cinema como forma de arte (com, sem, ou apesar de Hollywood) caberá no barco do rinoceronte.

Mas cinema não é tudo, e os internautas terão a oportunidade de conhecer blogs de futuros jornalistas culturais, participantes do projeto "Rumos" do Instituto Itaú Cultural (entre os quais orgulhosamente me incluo) - veja os links.

Entusiastas da Sétima Arte, sejam bem vindos!

"Signori passeggeri, la nave è in partenza!"

Jayme Canashiro

 

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